Deixa-me ficar. Por favor?
sábado, 31 de julho de 2010
domingo, 25 de julho de 2010
O primeiro sonho
Acho que Deus me ouviu ontem quando lhe pedi para esta noite eu ter um sonho. Foi o primeiro sonho. O primeiro da minha vida. Não sabia que ter um sonho feliz era assim. Não sabia que no dia em que tivesse um sonho, não ia querer acordar. Não sabia que um dia ia ter um sonho, onde acordava e a casa estava vazia. As ruas estavam vazias e não existia ninguém. Eu chamava pelas pessoas e elas não me ouviam porque não existiam. O caminho para a praia era muito curto, fazia-se a pé e chovia muito. Quando cheguei à praia o mar estava muito revoltado e a chuva caía sem parar. A praia estava sem ninguém. Vi o meu cavalo a galope pela praia sozinho e à chuva. O céu começou a ficar muito escuro e a tempestade mais forte. Sentei-me na areia a ver o mar e a praia ficou cheia de vozes a gritarem, vindas de todos os lados. Gritavam cada vez mais alto, mas não existia ninguém na praia. E do céu começaram a cair gotas de chuva muito grandes. As vozes não paravam de gritar e depois começou a parar de chover. Olhei para cima e o céu começou a ficar muito claro. Tão claro que a praia ficou muito calma... E reparei que existiam milhares de brilhantes na areia. Comecei a tocar nos brilhantes que cobriam a areia quando vi a minha irmã de coração. Ela não falava, só sorria. E aproximava-se devagarinho. Perguntei-lhe se já tinha visto os brilhantes todos na areia da praia. Ela baixou-se e pôs areia coberta de brilhantes nas mãos e deixou-os cair nas minhas. Eu mostrei-lhe que alguns tinham cores diferentes, mas que brilhavam todos com a mesma intensidade. Vimos ao longe o meu cavalo, junto às rochas, parado. Estava a olhar para o mar e a minha avó fazia-lhe festas nas crinas. Não sabia que as pessoas que já partiram podiam voltar. Não sabia que o meu cavalo também gostava dela. E depois a minha irmã de coração abraçou-me e ouvi-me a mim própria dizer-lhe antes de acordar:
Não se vá embora nunca, está bem? Ficar sem si dói muito no coração. Por favor. Eu prometo que vou ser sempre boa para si.
sábado, 24 de julho de 2010
quarta-feira, 21 de julho de 2010
sexta-feira, 16 de julho de 2010
quinta-feira, 15 de julho de 2010
terça-feira, 13 de julho de 2010
Wild Horse
Algumas pessoas não sabem que tu apesar de não teres voz, falas muito com o coração. Não sabem que quando respiras é como se falasses. Algumas pessoas não sabem que tu sentes muito. Sentes tudo aquilo que muitas delas não são capazes de sentir. Algumas pessoas não sabem que no teu silêncio está a minha salvação. Tu não precisas de falar comigo e eu não preciso de falar contigo. Temos uma linguagem que ambos percebemos e usamos. E é só nossa. Algumas pessoas não sabem que quando caminho ao teu lado e respiras por cima do meu cabelo, choras às vezes. Ou que quando olhas para mim de lado a ver-me descalçar as botas estás a rir por dentro e agitas as crinas. E há dias em que estás só a dizer-me que estás calmo, quando baixas a cabeça e encostas a cabeça ao meu braço. Algumas pessoas não sabem que quando corremos a galope deixo de ouvir o mundo. O que é tão estranho. Mas é tão verdade. Nós existimos assim, quando estamos juntos. Algumas pessoas não sabem que basta-me estar perto de ti para toda a imensidão de escuridão que é a minha vida se iluminar imenso. Contigo vejo só luz e brilhantes. Contigo eu iria até ao fim do mundo. As pessoas não sabem do tamanho do teu coração. Um tamanho que não caberia nas minhas mãos, nem num baú grande. Nem num navio. Nem numa montanha ou num enorme lago. Algumas pessoas não sabem que já sofreste muito, mas não faz mal, porque as pessoas, essas mesmas pessoas, também não sabem que eu já sofri muito. Olham para nós e acham-nos felizes. E têm razão. Porque somos. Eu sou muito feliz contigo. As pessoas chegam e vão. E nós ficamos. Os dois. Ao longo das horas todas. Só nós. Algumas pessoas não percebem que eu te ame tanto. Algumas pessoas não percebem sequer o que é amar tanto um animal. E estava a pensar no caminho para casa e julgo que já percebo porquê. As pessoas têm o coração ocupado com o amor por alguém com quem querem dividir a vida. O que deve ser tão maravilhoso. Mas eu não tenho. Está vazio só para ti. E sabes uma coisa? Para mim é também maravilhoso. Apetece-me rir e rodopiar sem parar, só de pensar que poderemos ficar assim para sempre. Porque as pessoas não sabem que é essa a nossa maneira de sermos felizes.
sábado, 10 de julho de 2010
sexta-feira, 9 de julho de 2010
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Feliz Aniversário
Querida melhor amiga, feliz aniversário! Nunca te disse, mas eu gosto muito do teu dia de anos. Na verdade, gosto muito mais do teu dia de anos do que do meu. O teu tem sempre tudo aquilo que o meu nunca tem e nunca teve e eu gosto que o teu tenha, sabias? Gosto de te ver feliz, a rir. Gosto de te cantar os parabéns. Gosto de saber que acordas feliz porque sonhaste com momentos felizes. Gosto que queiras sempre passar o teu dia comigo. Gosto de sermos só nós as duas. Gosto que adormeças depois de um aniversário cansada. Mas cansada porque te divertiste e foste feliz. Gosto de sentir que tu és feliz. Gosto de também me sentir feliz, perto de ti.
Até amanhã!
quarta-feira, 7 de julho de 2010
terça-feira, 6 de julho de 2010
Pesadelos
Apesar de estares muito longe e de a tua voz não aqui chegar nunca, eu consigo senti-la. A aproximar-se.
domingo, 4 de julho de 2010
sexta-feira, 2 de julho de 2010
O que te dizia
Se aqui estivesses, dizia-te que não faz mal não estares aqui fisicamente, porque estás no lugar mais importante para mim: no meu coração. E não há lugar onde pudesses estar mais perto de mim, pois não? Dizia-te que às vezes gostava de ser como os outros. Dizia-te que não quero ser mais eu. Dizia-te que quando vou andar de baloiço ao fim da tarde para o jardim é em ti que penso sempre e és tu quem está mais perto do meu coração, nessas alturas. Dizia-te que às vezes penso como seria ser normal. Como seria sentar-me perto dos outros e não sentir medo. Como seria usar vestidos. Como seria não ter pesadelos todas as noites. Dizia-te que às vezes estou muito cansada. Dizia-te que às vezes estou muito feliz com coisas muito pequeninas. Dizia-te que agora tenho uma irmã mais velha que adoro e que tu ias adorar também. Dizia-te que sinto que não faz mal não ter tido uma assim até hoje porque esta é mil vezes melhor. Dizia-te que tenho medo de que os pesadelos nunca passem. Sabes? Todas e todas as noites. Cansam-me. Assustam-me. Metem-me muito medo. Muito. E depois demoro sempre tanto tempo a adormecer outra vez. Dizia-te que gosto de me deitar na relva do jardim sozinha e ver as formas das nuvens no céu e imaginar animais e flores. Dizia-te que tiro fotografias a essas formas porque gosto de ter visto uma nuvem diferente que nunca ninguém viu ou verá. Dizia-te que nunca acredito quando me dizem que o passado não volta. Porque tu saberias como eu sei, que pode voltar. E isso é o que mais assusta, não é? Saber que pode voltar e ser pior. Dizia-te que não gosto de pensar tanto nele mas que não gosto de me esquecer dele. Dizia-te também que um dia gostava de festejar um aniversário e sentir-me feliz nesse dia. Dizia-te que um dia gostava de ter sonhos enquanto durmo. Nunca tive e não sei como será sonhar com uma coisa boa. Dizia-te que se pudesse mandar no meu sonho, no primeiro sonho que tivesse, queria sonhar contigo. Queria sonhar que voltavas e íamos passar um dia inteiro num jardim muito grande e só podia existir o som da caixa de música que me deste. Porque é que tu tinhas de morrer?
























